Sou Karina Franzin, atleta e treinadora de corrida de rua, formada em Educação Física e Fisioterapia. Para mim, correr vai muito além da competição, algumas provas são desafios pessoais, outras carregam um propósito maior que é o caso da Meia Maratona Contra a Pólio, em Três Lagoas. Na 2ª edição, em 19 de outubro de 2025, completei os 21 km em 1h33min42s, conquistando o 1º lugar entre as mulheres.
Agora, no dia 18 de outubro de 2026, volto pra disputar a 3ª edição. Mas antes de falar de pace e estratégia, preciso explicar por que essa corrida pesa diferente pra mim.
Uma prova que corre por uma causa
A Meia Maratona Contra a Pólio é organizada pelo Rotary Club de Três Lagoas Costa Leste, dentro da campanha mundial do Rotary Internacional pela erradicação da poliomielite. Não é só mais uma prova no calendário — é um evento que existe pra lembrar que a pólio ainda não foi erradicada no mundo, e que a vacinação continua sendo a única forma de prevenção.
Correr 21km é desafiador. Correr 21km sabendo que cada inscrição também sustenta uma causa que salva vidas é diferente.
O percurso: o que esperar em Três Lagoas
A prova sai em frente ao ginásio da Lagoa Maior, com opções de 21km, 10km, 5km e caminhada de 5km. A largada da meia maratona vai ser bem cedo 5h30, e não é por acaso: outubro em Mato Grosso do Sul é quente, e sair antes do sol castigar faz toda diferença no seu desempenho.
Quem nunca correu lá precisa saber de uma coisa: o calor da região é traiçoeiro. Não é o tipo de prova pra "sentir o corpo" e decidir o pace no meio do percurso — a estratégia de ritmo precisa estar definida antes da largada.
Se ainda não garantiu sua vaga, as inscrições estão abertas aqui.
Como venho treinando pra essa prova
Defender um resultado exige um ciclo de treino diferente de quando você está só buscando completar a distância. Pra chegar em Três Lagoas em outubro no meu melhor nível, minha preparação segue alguns pilares:
- Base de volume construída com antecedência. Não dá pra "acelerar" a forma física em 2-3 semanas — o corpo precisa de tempo pra se adaptar ao impacto e ao volume de quilometragem sem lesionar.
- Longões progressivos aos finais de semana. São os treinos que ensinam o corpo (e a cabeça) a sustentar esforço por mais de 1h30 — a mesma duração que preciso manter na prova.
- Treinos específicos no ritmo de prova (pace de 21km). Não adianta treinar rápido demais ou devagar demais: preciso do corpo calibrado pra sustentar exatamente o ritmo que pretendo fazer em outubro.
- Fortalecimento muscular 2x por semana. Ombro, core, glúteo e posterior de coxa entram na rotina pra proteger a técnica de corrida quando a fadiga aparece nos últimos quilômetros — é ali que a maioria das lesões acontece.
- Treinos-teste em condições parecidas com a prova. Sempre que possível, treino nos horários mais quentes do dia nas semanas que antecedem a corrida, pra o corpo já estar familiarizado com o calor no dia real.
É esse conjunto — não um treino isolado, mas a soma de semanas de trabalho estruturado — que decide o resultado no dia 18 de outubro. E é exatamente esse tipo de planejamento, adaptado à realidade e ao objetivo de cada um, que eu monto pros meus alunos.
Como eu me preparo pro calor de Três Lagoas
Esse é o ponto técnico mais importante pra quem vai encarar essa prova, seja pela primeira vez ou não:
- Hidratação começa dias antes, não na largada. Aumento a ingestão de líquidos e eletrólitos na semana da prova, não só no dia.
- Ritmo mais conservador nos primeiros quilômetros. Com calor, o custo fisiológico de manter um pace agressivo cedo demais cobra caro lá pelos 15-16km.
- Uso os pontos de hidratação da prova a favor, não contra — parar 2-3 segundos pra beber água direito rende mais do que "economizar tempo" e desidratar.
- Vestimenta leve e clara, pensada pra dissipar calor, não pra estética.
Semana de prova: o que fazer (e o que não fazer)
Na reta final antes de qualquer prova de 21km, o erro mais comum que vejo em corredores — inclusive em mim mesma, no início da carreira — é treinar demais tentando "aproveitar o gás" da última semana. Não funciona assim:
- Reduza o volume, mantenha a intensidade leve
- Priorize sono e alimentação nos 3 dias anteriores
- Nada de testar equipamento novo (tênis, roupa, gel) no dia da prova
- Visualize o percurso mentalmente — principalmente os quilômetros finais, que são onde essa prova decide tudo
O que essa prova significa pra mim em 2026
Defender um resultado é diferente de buscar um pela primeira vez. Em 2025, eu não sabia o que esperar. Em 2026, conheço o calor, o percurso e o que essa prova cobra até o último quilômetro — e é exatamente esse tipo de conhecimento técnico, construído prova após prova, que eu uso pra estruturar o treino de cada aluno que se prepara comigo.
Você vai estar em Três Lagoas em outubro?
Se está se preparando pra encarar os 21km, os 10km ou até os 5km dessa prova tão especial, eu posso te ajudar a chegar lá com uma estratégia pensada pro calor, pro percurso e pro seu nível.
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Como sua treinadora, posso criar um plano específico para você, ajustar conforme sua evolução e te ajudar a evitar lesões desde o início.
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