A corrida de rua nos ensina que nem todo gráfico de preparação é uma linha subindo direto para o topo. Às vezes, o percurso exige um desvio inesperado. No último domingo, dia 15 de março de 2026, vivi uma das edições mais intensas da Run Avoa em Votuporanga.
Com mais de 800 atletas inscritos e a presença ilustre do nosso campeão olímpico Altobeli Silva, o clima na cidade estava elétrico. Mas, para mim, o desafio começou semanas antes da largada.
O peso de uma história: 8 anos no topo
Nas 11 edições desta prova, tive a honra de subir no lugar mais alto do pódio 8 vezes. São quase dez anos competindo na elite e buscando manter a hegemonia feminina em casa. Eu me preparei com foco total para defender esse título, mas a vida de atleta tem seus próprios planos.
O imprevisto: quando a lesão aparece
No meio do ciclo de treinos, senti a temida "fisgada". Uma lesão na posterior da coxa (isquiotibiais) me forçou a parar. Foram duas semanas sem treinar, abrindo mão de outras competições e lidando com aquela incerteza que todo corredor conhece: "Será que vou conseguir largar?"
Imediatamente, recorri ao meu fisioterapeuta, Thallys Freitas, que me acompanha há 2 anos. Foram dias intensos de fisioterapia e exercícios específicos para o tratamento. O foco não era apenas "curar a dor", mas devolver a função ao músculo para suportar o impacto de uma prova de 6 km.
O teste de fogo: 48 horas antes da prova
Dois dias antes do evento, batemos o martelo: faríamos um treino-teste. Corri 5 km com média de 4:03/km. O ritmo estava um pouco acima do meu pace de prova, mas o corpo respondeu. Decidi arriscar. Afinal, a Run Avoa é o coração da nossa equipe AVOA e eu precisava estar lá.
A prova: entre o medo e a superação
Larguei com o coração na mão. No primeiro quilômetro, a apreensão falava mais alto: eu inconscientemente jogava o peso para a perna contrária, protegendo a lesão. Segurei o ritmo o quanto pude, monitorando cada sinal do meu corpo.
No meio do percurso, o cenário mudou. Uma adversária encostou forte e o instinto de competidora despertou. Precisei aumentar o passo. O medo ainda estava ali, mas a confiança no trabalho de reabilitação prevaleceu. Mantive o ritmo forte até o 5º km e, no quilômetro final, a dor já não era mais uma preocupação.
Acelerei, abri distância e cruzei a linha de chegada forte, feliz e, o mais importante, sem dores.
👉 Confira aqui a classificação geral completa da prova: Resultados 11ª Run Avoa
O que essa vitória me ensinou?
Lesões fazem parte da jornada, seja você um atleta profissional ou amador. O diferencial entre voltar às pistas ou ficar parado por meses está em dois pilares: paciência com o processo e respeito às orientações profissionais.
Agradeço ao Thallys Freitas pelo trabalho impecável e a todos que torceram por mim. A hegemonia continua, mas o maior troféu foi sentir que meu corpo está pronto para os próximos desafios!
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Como sua treinadora, posso criar um plano específico para você, ajustar conforme sua evolução e te ajudar a evitar lesões desde o início.
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